quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Lino Ventua

Lino Ventura

Ou estava chegando em casa junto com o sol a raiar, ou já estava de pé antes do sol acordar. Se era noite boêmia, histórias não faltavam a contar, e se era noite caseira muito menos. Lino Ventura era um rapaz que, não diferente das pessoas que desfrutam da juventude no seu mais intenso alvorecer, amava a liberdade. Queria cada vez mais ela, mesmo que fosse muito difícil de livrar-se do prazer e da prisão que eram os seus vícios: Roer unhas, usar cotonetes 4 a 5 vezes por dia e fumar. Hábitos que para ele eram indispensáveis mesmo que numa séria avaliação de prioridades.
Sonhos eram vários, mas a vontade de encontrar a garotinha pós-moderna, daquelas bem moderninhas que nossas avós não se refeririam com lá muita boa vontade, preenchia boa parte do monólogo que Lino vivia diariamente em sua cabeça e o fazia ser uma pessoa tão peculiar.
Era impressionante, estava o tempo todo observando as pessoas, tomando anotações, roendo unhas, se apaixonando, se desencantando, criando expectativas, vivendo personagens, fumando, conversando, gritando, usando cotonetes, correndo, roendo unhas, fumando, mas fazia isso tudo enquanto um universo paralelo em sua cabeça corria na mesma velocidade, e ele não deixava parar, chamava esse universo de: o inquieto monólogo.
Certa vez estava em uma dessas lanchonetes de fast-food capitalistas até o talo com outros dois amigos que como ele não eram muito chegados a regras e amavam o caos. Daí começaram um joguinho no qual girava-se o saquê de mostarda uma volta e o passava adiante, o outro fazia a mesma coisa até que uma hora aquele saquinho explodiria junto com muitas risadas dos garotos e sujaria uma parte considerável do lugar. Sem perder a empolgação, Lino acendeu um cigarro ao lado de uma placa de “proibido fumar”. Muito mais para dar curso à brincadeira do que por qualquer outro motivo, mas na sua cabeça, que estava em outro lugar, corria o pensamento na poesia que acompanhava aquele retrato do “foda-se”, a poesia dos 3 sorrisos amigos juntos que ele conseguia perceber. Isso o fazia feliz.
Se Lino tinha algo mais de especial eram seus amigos, quanta gente peculiar feito ele, um deles tinha o apelido de Leão e era pra quem ele ligava quando queria saber se ia chover, ou o porquê de seus peidos federem mais durante o banho, ou até mesmo como derreter um pote de manteiga congelado da maneira mais rápida possível. E o legal dessas pessoas era justamente não se importar com o tempo passando enquanto se faziam essas perguntas ou com o tempo gasto para resolvê-las, gostavam do simples, do passageiro, do presente que não se repete e do prazer que era encontrar, por exemplo, uma figurinha brilhante de álbum de futebol de 10 anos atrás escondida debaixo do tapete da casa da avó. Gostavam também de atravessar a rua e quase ser atropelado se isso tivesse acontecido sem querer, por mera distração. Também curtiam beber um copo de água gelada assim que acabavam de escovar dentes ou planejar roubos a magnatas e arquitetar o dia que invadiriam o colégio durante a noite para nadar. O muro era bem baixo.
Lino conhecia gente demais, muitas pessoas mesmo, e se relacionava bem com todas. Também, não era por menos, aquele ar de personagem de filme que andava sempre com suas camisetas de bandas de rock, calça jeans e all-star no pé, boina verde na cabeça e sempre algum bom livro em mãos, seduzia as pessoas. Todos o achavam interessante, mas ele sempre queria a atenção da sua paixão idealizada. Aquela meninha que curtisse uma boa música, bons livros e filmes, sonhasse muito, tivesse algum talento artístico de preferência e também era importante que essa personalidade pudesse ser vista de alguma forma no visual, para que quando ele sentisse que viu a menina, não perdesse tempo algum e enviasse logo flores e borboletas para a felizarda.
Sim, sua vida era bela por mais que ele achasse que passava rápido demais, mas ele escondia a parte triste em suas noites que eram quase sempre em claro, afinal, “sem o amargo o doce não seria tão doce”. E a parte triste se configurava numa frase que ele escreveu uma vez, “eu odeio as pessoas e os pássaros voam”. Se relacionava bem pois conhecia o script e sabia o que todos queriam ouvir, mas seus verdadeiros amigos para os quais ele era um livro aberto eram seus companheiros de banda e as pessoas que compartilhavam alguns desses sentimentos de angústia com ele.
Era um cara assim, humano, demasiado, humano. Lino Ventura.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Brindemos um copo de nada


Brindemos um copo de nada!


Ainda que eu pudesse ver
De tão complexo, faltaria entender
Desafio caboclos espertos a enxergar
Qualquer das cores que o violeta passar



Ainda que eu pudesse ouvir
A nota não ia existir
Talvez como se fosse possível
O cantar do canário, soar ao tom de um fusível



Ainda que eu pudesse cheirar
O odor não ia se configurar
Pois só desde a bosta da vaca até o cheiro das flores
Fui programado a funcionar



Ainda que eu pudesse provar
O salgado e o doce iam se misturar
Afinal, o que é azedo?
O limão na língua ou o amargo no peito?



Ainda que eu pudesse tocar
Faltaria uma forma na qual se mostrar
E se só a falta de sentido faz algum sentido
Brindemos à vida um copo de água!
E que ele esteja como a água:
Cheiinho de nada, mas vital!


Comentário:

Ando muito apegado a falta de sentido da vida ultimamente. Sim, o adorável clímax caótico! e pensando sobre a água que não tem cheiro,cor,gosto,som,forma e é oque nos faz viver, percebi que realmente o principio da vida não faz sentido algum. A água é um nada como tudo ao meu redor, pensamentos, idéias e nda passa disso. Portanto, em comemoração!

brindemos um copo de agua e vivamos a vida!


The clown

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Escrever pra quê?







Escrever pra quê?


Nesse ano conheci uma pessoa de uma maneira muito inusitada, e em função do meu tesão por momentos fora do script e por pessoas que arquitetam essas momentos acabamos nos tornando amigos.
A Alice, que se mostrou interessantíssima, fez um jogo comigo no qual ela se apresentou com o codinome L e o objetivo do jogo era eu descobrir quem ela era dentre as pessoas do colégio, sendo que eu não fazia idéia de quem fosse a lunática.
Tudo começou com mensagens via correio eletrônico e troca de mensagens instantâneas na rede internacional de computadores. Acabou que nos descobrimos e ela continua criando situações bem legais como, por exemplo, a matada de aula na praça da liberdade onde, sentados na grama junto a um hippie que vendia flautas e pulseiras, conversamos muito, fizemos charadas, pude falar um pouco sobre política com o rapaz que me perguntou o porquê da minha camisa escrita 1984 e ainda aprendi um pouco sobre a banda 14 bis que o hippie citou.
A terceira situação construída por ela foi a que me levou a escrever esse texto. Ela simplesmente perguntou:
“O que te leva a escrever?”
Essa pergunta me roubou algumas noites de sono, fato que não me incomodou, mesmo porque, não vejo nada melhor que ser atropelado por uma pergunta inicialmente sem resposta. Então matutando, mastigando e digerindo essa questão me deu vontade de gritar a plenos pulmões para todo o planeta terra:
“Algum de vocês entende alguma coisa que está acontecendo? Alguma coisa faz sentido a não ser a falta dele? Alguma coisa existe a não serem as consciências individuais? O que é o passado e o futuro senão pensamentos?”
Com certeza eu não obteria nenhuma resposta satisfatória já que as respostas seriam mera expressão de pensamentos individuais. Talvez seja por essa lacuna que me surge vontade de escrever, pois eu preciso dessas respostas, então tenho que criá-las para mim.
Já que mesmo sem uma autoridade que explique o caos da vida eu sou obrigado a viver um cotidiano arquitetado por meros mortais que, como eu, não sabem de nada, é através da arte que busco minha paz e a expressão desse meu mundo de palhaços, aventuras, ideologias, fantasias e sonhos. Mundo esse que só vira uma realidade palpável quando traduzido em músicas, textos e poesias, pois enquanto não são traduzidos não passam de idéias desconexas na minha cabeça, as quais, para mim, têm muito mais valor que a realidade ilusória de ter que estudar, me formar, trabalhar, constituir família e etc.
Essa realidade ilusória não passa de uma forma de adaptação do ser humano ao mundo atual.
Escrevo por isso. Para que minha vida, aquela que é só minha, é a verdadeira e não a que eu construo para os outros possa ser cada vez mais vivida. Escrevo para viver! E mais, para viver em conformidade com minha consciência, traduzindo-a em algo real para fugir da minha coisificação e da minha robotização, para ser mais eu, por não ter outra saída e pelas minhas respostas que me dão mais paz que qualquer livro espiritual ou guia de auto-ajuda pode oferecer.
Acho que respondi de maneira satisfatória o por quê do meu habito de dedicar horas a fio na batalha com as palavras. E como todo petróleo do mundo não vale metade da minha consciência continuarei escrevendo sempre que me der na telha. Viva o caos que as gravatas tentam disfarçar!






texto: clown
fotografia: mokah

sábado, 6 de outubro de 2007

O taxímetro


O Taxímetro

Estou sentado por aqui, em campos onde passei tempos tão antigos quanto cheiro de cozinha de vó, tempos de muita infância, curiosidade e velocidade. Sim, como era bom correr. Rua Turquesa é meu atual paradeiro, esquina da Rua Contria no bairro Prado onde está a casa na qual morei naqueles tempos, chamada por meus irmãos menores de “A casa vermelha”, por sinal, uma cor pela qual sou muito simpático quando ela pinta estrelas em boinas pretas.
E foi andando por essas bandas que começou uma tempestade cerebral de idéias, talvez pela expectativa do ensaio com a minha banda no dia seguinte banhada por uma “atitude Kurt Cobain” e um ar “Ernesto Che Guevara”, que se misturava com o fato da atendente do supermercado ter se dirigido a mim, da seguinte forma:

“Há que endurecer-se mas sem jamais perder a ternura, lhe parece familiar?

A boina que eu vestia e a barba sem fazer por duas semanas levaram a moça a essas palavras, as quais me deixaram muito feliz e fizeram com que naquela chuva de idéias, o trem do pensamento passeasse por trilhos teatrais e viajando por lá me veio a seguinte cena na cabeça:
Me imaginei andando numa avenida movimentada quando, de repente, um senhor começa a passar mal na calçada ao meu lado, então, corro para ajudá-lo e devido a seu estado grave dou sinal para um táxi que passava por ali.
Com muita pressa ordeno o taxista ao hospital mais próximo e ele com um sorriso amistoso responde:
-Deus vai nos ajudar
Agradeço pelas palavras de esperança, mas peço pressa ao generoso taxista, o qual disparou a seguinte frase uns duzentos metros à frente:
-Droga! Sempre me esqueço.
Logo, guia seu dedo até um pequeno botão e liga uma maquineta. O Taxímetro.
E pensando naquela inicial boa vontade do rapaz que se desmoronou como o muro de Berlim formulei a seguinte frase:
“Se tempo é dinheiro, salvemos nossas vidas”

The Clown

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Crônica do nariz de palhaço


Crônica do nariz de palhaço


Depois de um dia cansativo de aula fui encontrar a minha mãe no centro comercial, vulgo shopping, para comprar a minha fantasia que vestirei na esperada e badaladíssima festa do terceiro ano. Indo pra lá e pra cá com o objetivo de construir um palhaço original fui escolhendo as peças, mas quando chegou na última e mais importante delas, o nariz vermelho, já estávamos exaustos e famintos depois de andar, experimentar e ficar um século preenchendo uma ficha insuportável para adquirir um cartão de descontos com uma vendedora que não parava de falar.

Em função disso tudo aconteceu algo raro no meu cotidiano, eu não pensei em como me dirigir a um vendedor e formulei uma frase um tanto quanto engraçada que foi assim:


"ôw! você tem nariz de palhaço?"


Normalmente eu falo as coisas que pensei a cinco minutos atrás pois me preocupo em falar corretamente e de maneira bem formulada, não para me fazer de intelectual ou demonstrar domínio da língua portuguesa mas para tentar ser bem claro, pois detesto ser mal entendido, além do que me incomoda falar errado. Mas, dessa vez, sem perceber eu poderia ter até causado uma confusão. Imagine um vendedor mau humorado e em um dia daqueles bem nublados e quentes, a reação poderia ter sido do tipo:


"Nariz de palhaço quem têm é tua avó moleque!"


Mas era uma vendedora que devia ter lá os seus 50 anos, sim, ela tinha uma cara fechada mas só olhou pra mim com um ar de estranhamento, parou, pensou por uns 6 segundos e enquanto o silêncio me rasgava junto ao olhar cortante da mulher, pensei o que eu poderia ter feito de errado, mas ela respondeu num tom seco:


"Não tem isso aqui não"


Mas o chato insistiu e disse:


"Aonde eu encontro?"


E ela:


"Nas lojas americanas talvez"


Agredeci e ao invés de andar 2 quarteirões para comprar o tal nariz voltamos pra casa, pois a fome falou mais alto, mas voltamos banhados a deliciosas mil gargalhadas depois da mamãe me contar oque eu tinha falado sem perceber.


The clown

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Manifesto anarquista


Todos os dias, as pessoas (que chamarei de engrenagens) começam a sair de suas moradas (ou prisões) mais ou menos às quatro da manhã, mas algumas delas podem se dar ao luxo de sair mais tarde. Isso acontece não porque esses pouquíssimos seres são melhores ou mais fortes, mas porque se chamam patrões e estão armados com algo tão poderoso e terrível quanto mísseis que destroem cidades inteiras. Estão armados com números e cifrões os quais compõem um sistema inventado por eles: o capitalismo. E essa arama que vem destruindo a humanidade e até o planeta terra é o dinheiro.
Já fora das prisões particulares começa a masturbação mental em forma de competição na grande selva que são as cidades pós-modernas nas quais é impossível estar em algum lugar sem ver uma propaganda te observando e tentando te comprar ou sem a presença de um adversário que tenta te passar pra trás em função do lucro.
A competição funciona milimetricamente quando as engrenagens se encaixam, porém o jogo já está comprado. Comprado pelo Deus que se exalta chamado dinheiro. Ele define quem vai vencer, trama armadilhas desonestas, e usa engrenagens um tanto quanto cruéis para que funcione o sistema como, por exemplo:

1-Mão de obra reserva: esse conceito se resume na necessidade de que exista uma mão de obra qualificada sem emprego para que os salários dos que estão empregados sejam baixos e caso não aceitem esse lucro desleal dos burgueses donos dos meios de produção a mão de obra reserva qualificada assume o lugar dos empregados por um salário menor ainda. Tudo em função do lucro.

2-Mão de obra barata: Porque não explorar crianças na Indonésia na confecção de tênis se é mais lucrativo?

Democracia? Bem estar social? Tratar seres que não são iguais de maneira igual? É certo alimentar o instinto de competição num jogo que não é disputado em condições iguais e que mostra necessária a existência da desigualdade para seu funcionamento? Alimentar a cobiça através de comerciais? Alimentar a ambição? O mito da liberdade e igualdade?
Alguns estão insatisfeitos e vêem sua liberdade ameaçada enquanto outros já a encaram como completamente consumidas pelas conseqüências do capitalismo: a violência, a fome, a guerra, a deturpação dos valores, a morte da razão, da humanidade e até do planeta que, após a modernidade industrial sustentada posteriormente pelo iluminismo burguês e seu irracional antropocentrismo, começa a definhar sob diretrizes impostas de que está tudo a serviço do progresso ilimitado.
Talvez a democracia nos defenderia com sua bruta incoerência: “ sem infringir a lei discorde a vontade” e por isso venho escrever esse texto para mostrar a impossibilidade de coexistência do dinheiro e da propriedade privada com o bem estar social já que todos levantam a bandeira de que o ser humano é um ser ambicioso atribuindo à sua natureza as mazelas de um sistema, incoerentemente.
Parto do pressuposto de que o homem não é bom e muito menos mal por natureza, mas potencialmente tudo, sendo assim te convido a pensar sobre esse ser em diferentes contextos:





1. Sociedade Totalitária

Em um regime totalitário as pessoas são inseridas num contexto em que o senso de unidade é fundamental. Tudo pelo Estado! As pessoas acabam desenvolvendo potencialidades que ficam adormecidas quando em outros contextos, pois não é mera coincidência a sociedade alemã ter apoiado Hitler massificamente. Nesse contexto, uma mentalidade comum é criada, a exclusão ao diferente é trabalhada, mas o sistema é o outro e as armas são ideologia, manipulação da mídia, autoritarismo gerando o que eu chamaria de sociedade totalitária completamente diferente, por exemplo, da sociedade capitalista.

2. Sociedade Capitalista

E nessa que o homem desenvolve a ambição através da sedução pelos comercias e da ideologia do status social. Todos querem ser bem vistos pelo outro se esquecendo de si mesmo. È um sistema que não trabalha a responsabilidade individual uma vez que o respeito ao próximo é mais importante e a lei nos protegerá. Isso só ajuda a buscar no fundo da natureza humana uma potencialidade que poderia ser jogada fora, o individualismo irresponsável.
È um sistema que desenvolve o preconceito, pois é baseado na acentuação das diferenças materiais tornando os que têm menos excluídos e fracos ao deslocar a noção de valor das relações humanas para objetos deixando de lado sentimentos e idéias; o que leva a plastificação das relações entre as pessoas transformando-as em relação entre as posses das pessoas abrindo espaço para relações falsas, superficiais e como “se dar bem e ganhar” é o importante gera-se corrupção, trapaça e tudo em prol da existência de um vencedor e um perdedor.
Sim é uma arquitetura feia, mas como eu disse: “funciona perfeitamente” porque tem uma lógica que se todos conhecessem o mundo não funcionaria assim, mas já que a grande maioria do mundo está abaixo da linha da pobreza não tem condições de enxergar isso e se manifestar a putaria continua.
O homem foi alimentado com isso tudo e por isso se fez assim.

3. Sociedade livre

Nunca existiu, mas como ela seria? Ou melhor, já que o homem se faz por causa do contexto, como se formaria um homem nessa sociedade?
Com certeza o senso de responsabilidade social seria a principal marca dessa sociedade, pois ela só funcionaria assim, da mesma forma que o capitalismo só funciona com a desigualdade.
O humanismo seria recuperado sem atingir níveis antropocêntricos, pois o homem faz parte da natureza e não é seu senhor. Mas como essa consciência seria atingida? Através da mesma responsabilidade social que não deixaria a irracionalidade de destruir a natureza guiar o homem em função do progresso. O foco do ideal de vida seria deslocado para o bem estar de todos e não da dominação da natureza.
O respeito pelo outro viria através do senso de igualdade já que a dignidade do homem se encontra na liberdade, sendo assim retomo um pressuposto de Karl Marx: “o homem é um ser social” e por isso capaz de conter suas paixões e instintos para construir uma sociedade justa.
A violência não teria raízes para brotar e as principais potencialidades desenvolvidas seriam as necessárias para se viver.



A anarquia é muitas vezes vista como sinônimo de bagunça, caos e desordem, mas essas palavras não são mais nada que um reflexo do mundo contemporâneo capitalista onde até a própria lei não serve pra mais nada já que os EUA podem desobedecer ao órgão criado em prol da paz, a ONU. É clara a maneira como a lei se mostra ineficaz já que surgiu pra garantir as necessidades básicas do ser humano e não as garante em nenhum lugar do mundo para todos.
O capitalismo é sim uma verdadeira bagunça marcada por um ser humano mal desenvolvido que pode mudar apenas abrindo os olhos e constando que o capitalismo é pai das piores desgraças desse mundo: Escravidão, Nazismo, Guerras, Destruição do planeta etc.
Tentemos pelo menos uma vez expandir nossas consciências e enxergar a decadência do século XXI para que através de nossas ações diretas, nem que seja apenas divulgando textos como esse que só veicula um ponto de vista, possamos mudar um pouco a realidade tornando-a menos hipócrita e melhor para nos mesmos.
Todo coração é uma célula revolucionaria!

The clown

Um conto de outono


Um conto de outono

E para o rapaz moribundo repleto de insegurança, mas ainda com um otimismo sincero dentro de si e uma alegria singela, que andava por dias serenos e noites poéticas do outono, bastava um olhar para o céu e se deparar com a arte grandiosamente talhada para criar dentro de si obras tão profundas e belas como todas aquelas estrelas posicionadas cautelosamente, o azul no seu mais puro tom, o sol embevecido de luz dando cor às maravilhas do mundo e a lua que na sua forma mais romântica lhe arrancava suspiros e também lágrimas.
Esse ar flutuante não era fruto do simples fato de ter nascido em fevereiro e ser mais um pisciano aéreo e sonhador, mas sim, tinha um nome "esse algo" que lhe dava toda essa nobreza de alma, era o nome de sua amada, Escuridão, que lhe enchia o peito de amor, carinho, companheirismo, correspondência e paz. Mas a Escuridão sempre foi assim: profunda, misteriosa, sedutora, incerta, encantadora, como um labirinto e fonte de uma insegurança ou medo descomunal quando diante da possibilidade de perdê-la apesar de toda aquela paixão que vivia dentro do rapaz moribundo.
Quando já domado o labirinto e enfraquecidos os temores só restava a segurança do amor eterno junto a quem também lhe amava e a felicidade de sua certeza. Até que no momento em que o rapaz abraçaria pela primeira vez sua amada sem nenhum remanescer de suas angústias, quando suas mãos já se tocavam, uma tempestade os arremessou para longínquas terras. Quem dera fosse a terra em que planejaram seus sonhos, nos campos floridos de suas imaginações. Mas não, ficaram longe um do outro carregando apenas o último olhar apaixonado
E o rapaz moribundo cavalga pelo mundo desesperadamente atrás de sua velha amada que com o tombo que levou perdeu a memória e naum sabe mais que rumo tomar. O antigo rumo da vida pelo amor o rapaz tenta penosamente mais uma vez trilhar e mostrar para sua amada que ela conservou dentro de si a essência de seu amor à ele e de seu amor à esse rumo que trilariam juntos. Mas ela sem responder o entristece mais.
O caminho da terra encantada ainda existe e tenta sobreviver pulsante dentro de um coração que vai morrendo com as tormentas desse mar que é a vida, o coração do rapaz moribundo, que espera ansiosamente poder olhar para tudo que um dia te fez sonhar e poder ter como motivo dessa alegria de vida, que ela ainda busca, sua amada. Escuridão, que sem entender o rapaz, continua sumida porém procurada incessantemente pelo rapaz que custe o que custar cavalgará por todos os labirintos sempre atrás desse amor profundo, belo e supremo. Até que seu coração não mais tenha forças e ele se perca no sombrio do mundo e não mais na doce escuridão.

Sincero Adeus


Uma carta de suicidio? Sim um tema mórbido mas que um dia me desafiou e eu achei interessante um devaneio fora das maravilhas poéticas.Aí vai, mas não pensem que estou querendo ir embora pra outra vida... hehehehehe
Abraços

The clown

Sincero adeus

E a angústia volta a me consumir em pesadelos
O que se mostrava colorido se torna ao desbotado claro
Mais uma vez a realidade, que preferi cegar-me diante de sua melancolia,
rouba de mim os momentos que perpetuei em sonhos
Sendo assim, que os pulmões sangrem ao sabor da menta e apodreçam,
que os músculos me incomodem e façam com que o sabor do fel volte a meus lábios
enquanto o mundo gira e tento mais uma vez mergulhar numa maré de ilusões.
Só que dessa vez rogo por que seja mais profunda
e mais inatingível pelos dedos cruéis que me trazem para a superfície,
onde nada passa do que temos que aceitar, muitas vezes esquecer e tudo
se resume na superficialidade do império da realidade
sem nenhum sentimento ou emoção.
Os fantasmas da noite que esconderam a lua, antes inspiração das minhas aventuras românticas,
fazem com que os dias fiquem mais quentes, as pessoas mais concretas
E destroem tudo, as flores, os pássaros, a liberdade e o pior,
a vontade de sonhar.Nos dando em troca o medo de sonhar
Se o mundo conseguir tirar-me até minha pedra mais preciosa que carrego nesse jogo
despeço-me da vida sem medo, com orgulho, por ter atingido a visão assassina que ninguém deseja ou não alcança, porém derrotado e consumido por uma tristeza que não tenho vontade de curar com uma caixinha de anti-depressivos, logo
Vou me retirar. E tenho consciência de que para o mundo meu rótulo será:
Mais um covarde romântico que foi longe demais em suas idealizações e queria chamar atenção.

“Prefiro a má reputação à má consciência” -Friedrich Nietzsche-

The clown

E se todos estivessem dormindo?



E se todos estivessem dormindo?Se foi sonho ou não pouco importava, pois a magia daquela tarde de final de agosto quando no palpitar da primavera as flores logo chegariam preencheu o buraco que as vezes o cotidiano cava em nossos corações nos deixando cegos quanto a vida que nos cerca.
Uma garota com seus 15 anos de idade sem saber as surpresas que a aguardavam fora de casa teve a felicidade de vestir sua boina e ir passear tornando o “simples espairecer” no qual ela se lançou em um devaneio dos mais agradáveis.
Saindo de casa, sentiu cócegas na batata da perna.Eram as gotas das molhadeiras automáticas de jardim respingando nela.Assim, a garota abriu um sorriso inocente e correu em meio as molhadeiras dos jardins construindo uma cena tão suave que parecia uma peça de ballet decorada pelo sincero sorriso.Começou assim, sem ainda saber se era sonho ou não.
A garota com olhos de caleidoscópio não deixava escapar a poesia, pois pensava que quanto menos despercebida ela se passasse melhor seriam os dias. Com essa idéia em mente e embalada por “strawberry fields forever” em seu toca fitas, parou diante a uma árvore sem folhas esculpida pelo inverno e reparou uma única flor vermelha e grande. Que linda flor!Ficaria belíssima em seu cabelo.
Outro quadro recheado de lirismo se construia. O título que eu daria a essa segunda cena que esse passeio sem pretensões proporcionou seria: “quem era a flor?”
Tive a impressão que a menina tinha algum poder ao ver tudo isso. Era uma fada?Talvez Belial?Não sei e não sei se é sonho. Sei que por onde ele passava pétalas cobriam a calçada, pequenas flores como trevos se ocupavam com o branco da paisagem, redemoinhos de poeira se formavam e ela desejava apenas que seus olhos pudessem tirar fotos pois tinha certeza que tudo aquilo passava despercebido e não podia ser assim.Mas quem sabe seus olhos não fossem realmente câmeras.Era um sonho?
Para ela, o dia estava da cor do vento, um clima que não podia estar melhor, e sentada na grama de uma pracinha pensava só sobre as cores além de brincar com os gravetos quando se perguntou se seu dia não estava um tanto quanto solitário. Logo em seguida um João-de-barro saltitante de barriga amarelinha se aproximou como que num passe de mágica confortando a menina que sorria dentre os doces o sorriso mais bonito. Só podia ser sonho. Que cenas lindas, que menina linda! Inspiraria até os matemáticos mais céticos tal encanto e lirismo.
Resolveu voltar pra casa, afinal, era um “simples espairecer”. Tomou um caminho diferente mas a poesia era sua sombra. No caminho de volta algodões cobriam a rua como flocos de neve deixando-a com vontade de comer sorvete mas ela se conteve
pois não sabia se queria de morango,limão ou creme com biscoito.
Quase em casa a menina viu a última cena que achou legal, um velhinho lendo um livro em uma cadeira de balanço com 10 beagles dormindo em volta.
Sem usar muito de seu tempo observando o senhor, voltou para casa e a partir daquele dia maravilhoso usou seus dotes artísticos, sua imaginação, seu mundinho de palhaços, carnavais, Pierrots, confetes, usou também giz de cera e lápis de cor para desenhar uma mulher que girava com um guarda-chuva em mãos tendo estampado em seu rosto um sorriso desproporcionalmente grande.
Após terminar o desenho se sentindo cansada adormeceu como um anjo em sua cama formando a última cena relevante do dia. Aquela garota dormia numa suavidade e pureza comoventes. Linda cena.
No momento em que se deitou alguém acordou sorrindo, era Clown, o palhaço, que se despertou desse sonho lindo feliz, pois havia sonhado com uma garota assim o tempo todo. Será que ela existe? – pensou o rapaz -. Era o melhor sonho que o garoto já tinha desfrutado. Belas cenas e uma bela garota. Relembrando o sonho, pensou o rapaz:

“Como eu queria encontrar tal menina no momento em que o João-de-barro apareceu na pracinha. Eu sei que ela existe. Foi real. Só queria dizer o quanto sonhei com ela, sempre sonhei com uma menina assim e ela existe. O melhor dos sonhos é poder compartilhá-los com alguém que também sonha e não vai rir do que eu falo, mas vai rir comigo”.

Quem sonhou? A menina que sonhou com o moribundo palhaço que pensaria nela? Ou o palhaço que sonha com a garota? E se todos estivessem dormindo?

FIM

Para Yume com muito carinho do seu admirador The clown.

A TV faz o povo ou o povo faz a TV?




Após a leitura da obra 1984 de George Orwell refleti sobre o contexto apresentado no qual 85% da população (os proles) vivem dentro de um sistema que os deixa alheios á manipulação de informações, alheios aos produtos de seu próprio trabalho e inseridos numa realidade marcada pela baixa qualidade de vida. A partir disso, cheguei a conclusão que por mais que a obra tenha como objetivo criticar o Stalinismo (salvo as referencias ao grande bigode negro do Grande irmão) relacioná-la com a cultura de massa e seus efeitos sobre a sociedade brasileira é perfeitamente aceitável.
A cultura de massa sustentada principalmente no Brasil pela Rede globo (quarta maior emissora do mundo) funciona com seu poder de alienação junto ao restante de canais de TV aberta como um entorpecente da consciência popular criando um perfil de cidadão manipulável e de grande interesse para os donos do capital e dos meios de produção.
Essa minoria que detêm o capital, dentro de um jogo de interesses manipula a forma com a qual serão passadas as informações e acaba ditando as regras da sociedade em que vivemos pois sua ideologia é colocada em prática através da mídia com programas sem profundidade alguma, roubando do cidadão o tempo em que ele poderia enxergar a realidade e lhe dando em troca um jornalismo tendencioso e baseado na polemica, futebol, mulheres e telenovelas que parecem repetira as mesmas 3 ou 4 histórias durante décadas as quais criam suporte para a criação dos valores que regem a sociedade e são transmitidos pelos vilões e mocinhos criados sempre da mesma maneira.
È engraçado que muitas vezes a indignação com uma notícia ruim do Jornal Nacional vai embora quase que num passe de mágica quando começa a novela (sem nenhum intervalo entre os dois programas) exibindo uma cena romântica.
E é claro que a TV não é a única responsável por isso, afinal, sem TV o povo só perderia uma orientação de consumo padronizada que é necessária que exista já que buscamos a ordem e o progresso. Pois o progresso só se faz quando apontado para uma única direção, através de padrões que poderiam ser melhores, mas...
È uma questão de educação a qual já é também alheia a maioria dos espectadores. Talvez porque tenha q ser assim para que funcione o jogo dos que dêtem o poder
Afinal, pensando que a globo funciona como o grande irmão para o Brasil só tenho uma dúvida “O povo faz a TV, ou a TV faz o povo?”

texto: The clown.
foto: Moka.

Artista do Eu


esse foi escrito durante a aula... um poeminha que eu achei legal
The clown

Artista do eu

No meu dia a dia me faço escultor
Arquiteto e pedreiro ou as vezes pintor
Junto uns tijolos de diferentes lugares,
Quase do mundo todo pra respirar todos ares

Pego também areia, água e terra
Faço-me um soldado dos bons de guerra
Escolho a madeira das mais reluzentes
E com minha navalha começo a talhar

Talho meus sonhos e o meu penar
Caprichoso e sem pressa me ponha a perguntar
Em que obra de arte se transformará
As matérias do mundo que eu fui coletar?

Artesão de idéias é minha profissão
Construo meu eu por minhas próprias mãos
Com as cores e terra de todo lugar
Renovo a cabeça antes de me deitar
Para quando amanha o sol raiar
Com as tintas do mundo a consciência pintar, denovo e denovo
Sem nunca acabar

O clímax caótico


Cara, esse texto foi escrito a um bom tempo. Depois de um final de semana que só quem estava presente não entenderia o que aconteceu..
??????
É isso mesmo, quem estava presente não entenderia, mas, enfim, as idéias desse texto vieram só dias depois e não remetem ao que aconteceu na minha viagem com os meus amigos nesse fabuloso final de semana mas remete ao que eu pensei sobre ele...ai vaí
abraços a todos e viva Albert Hoffman
Dedico a Tety, Kalil, Digo e davi
The clown

O clímax caótico

Resolvi chamar a donzela vida de clímax caótico pois para mim ela não passa de uma viagem que pode acabar a qualquer momento e sempre sem sentido algum,pois vamos embora empanturrados de dúvidas e angústias ficando longe de qualquer coisa que construímos a não ser nossa própria consciência e é por isso que eu adoro essa viagem alucinante.
Se vivêssemos com a idéia de que sempre estamos no clímax de uma história na qual o momento seguinte é sempre uma surpresa, essa viagem caótica seria pelo menos interessam, mas ficamos sempre presos a planos ou conseqüências futuras quando não é o passado que nos encarcera na realidade que nos mesmo criamos.
Além disso, ainda existem os criminosos, estúpidos e convencidos que tentam botar ordem nesse caos funcionando como um diretor de cinema que insere todos num script através de suas formas de poder. Eles criam regras, códigos de ética, padrões morais estipulando causas, conseqüências, punições, recompensas para as ações humanas condicionando-as a sempre serem previsíveis destruindo o clímax e disfarçando o caos, pois nem mesmo esses idiotas conseguem conferir sentido algum a essa estranha donzela vida, apenas criam problemas mais fáceis para se preocupar e os universalizam. È o dinheiro, o emprego, as obrigações, os impostos, as regras. Tudo que deixa de lado o gostoso que é a perplexidade do homem diante a vida. Algo do tipo “esqueça suas dúvidas, incertezas e inseguranças! Não as viva! Viva o cotidiano q inventamos, é mais fácil!”
Ficamos presos a tudo isso tendo que criar uma idéia de felicidade para lutarmos a vida toda por ela sendo que se ninguém encarasse a vida como um conjunto de regras, talvez encontrássemos a felicidade no caos, ficaríamos com ela sem ter a necessidade de criar uma palavra para nos referirmos a mesma.
No dia que o homem aceitar que o mundo é um caos sem razão, que o homem criou deus, que o tempo passa e seu crescimento espiritual é nulo dentro de um script, que a liberdade é vida e que a vida é o que temos durante pouco tempo, talvez ele atinja o fim pelo menos das angústias criadas por ele sem necessidade (as angústias provenientes da vida cotidiana) e possa viver harmonicamente o clímax caótico.

texto: clown
fotografia: mokah

Momentos Laranjas


esse texto comecei a escrever sem pretenções e sem pensar nele ante, fui deixando fluir e quando terminei pedi a um professor que eu admiro muito que lesse o meu texto daí ele me falou q os monges budistas usam suas túnicas na cor laranja pelo mesmo motivo que eu exaltei o laranja no meu texto, pela sua autenticidade, mas o curioso foi q eu escrevi o texto sem saber disso...aí segue o texto
abraços..
the clown...

Momentos laranjas (quando alimentamos-nos de nós)

Acordei mais ou menos às 6 horas da manhã num ambiente que eu não repararia se não fosse sábado. Estava deitado na rede da varanda da minha casa com o violão sobre o meu corpo, o sol batia na minha cara, mas ainda se fazia sombra em uma das paredes, e em uma combinação de cores q eu particularmente gosto, o azul das paredes completava o amarelo da renda da rede.
O momento era propício para começar um daqueles devaneios que não se preocupam com o relógio e começam quase sem querer. Não deu outra, o sol bateu, me acordou, ensaiei uns acordes, mas logo parei, curti a brisa e o silêncio na hora em que arremessei meus pensamentos para as tardes laranjas do ano passado. Ou melhor, porque eu as chamo de laranja foi a estação na qual parou o vagão do pensamento.
A fruta laranja, que pra mim não tem nada de laranja, podia ser um motivo para lembrar-me das tardes talvez porque eu passava em frente a uma laranjeira no caminho de volta pra casa e ela, todos os dias, roubava a minha atenção por pelo menos 2 segundos. Mas se a cor dessas frutas não é laranja a meu ver, a laranjeira não é um bom motivo pra chamar as tardes de laranja.
As laranjas pra mim tinham que se chamar “verdes” ou “amarelas” porque dependendo da paisagem, da companhia, do momento e das vibrações o gosto sempre soa verde ou amarelo, mas nunca laranja. Laranja eram aquelas tardes do ano passado nas quais buscando espairecer eu as construí passeando pelo meu bairro.
Poderiam ser laranja as tardes talvez pela cor-da-lixeira que eu sempre jogava o guardanapo do cachorro quente, mas uma lixeira não tem nada de laranja. Elas são cinza, cor de metal e sem brilho! E não laranja! Porém algum idiota ou um ser que colore o mundo de um jeito diametralmente oposto ao meu pintou a lixeira a cor-de-laranja que não é cor da laranja, muito menos de lixeira e era a cor do dia. Mas por quê?
Em uma daquelas tardes, que foram 5, eu vi uma garotinha soltando uma pipa que bailava rodopiando no ar e aquela cena era laranja, mas se só vi ela uma vez, por quê os outros dias se fizeram laranja?Foram 5 dias úteis (porque assim são chamado porque pra mim na verdade se fazem tão inúteis) nos quais, visando espairecer e colocar fogo no script, resolvi passear pelo bairro todos os dias da semana e reparar o que me chamava atenção como o lixo, a laranjeira, a garota entre várias outras imagens. No final daquela semana pensei : “Essas tardes foram tão...laranjas!”
Acho que pela primeira vez me faltou um adjetivo, pois todas as cores me lembram algo: o azul é suave, o vermelho romântico, o amarelo é feliz, o verde é forte, o preto triste, o rosa dengoso, mas só o laranja é tão... laranja, e por isso especial como as tardes.Colori aquelas tardes com essa cor porque elas foram autênticas, diferentes, assim: especiais mesmo! Quebraram a rotina da melhor maneira possível.
Após chegar a resposta daquele devaneio olhei para o sol e deduzi que eram já umas oito horas e a viagem tinha se estendido. Eu continuava estático na rede na mesma paisagem que se iniciou esse texto a não ser pela iluminação diferente. Daí me levantei e pensei “quem sabe hoje não venha a ser um dia laranja? Afinal começou tão...bem.
Fui viver aquele dia com o espírito das tardes laranjas. Estava eu mais leve e concluí que todos precisamos de momentos laranjas nos quais despreocupamos com o incômodo tic-tac do relógio e ficamos sozinhos. Tornamos-nos cada vez mais nós mesmos, pois apenas viajamos nos trilhos de pensamentos autênticos, despretensioso e que ninguém sabe colorir a não ser o próprio libertino do pensamento, eu mesmo. O tempo se torna meu e ele não existe. Portanto ser você é o que se costuma fazer em momentos laranjas.Precisamos de momentos laranjas para alimentarmos-nos de nóz! Ou será de nozes? Que cor tem as nozes?...

the clown!